Etc etc e tal
N�o deve significar muita coisa meu nome, signo, estado civilis, o que fa�o, o que tenho. Mas este ser� especificamente um blog sobre minha vida, com ou sem lirismo. Gosto de intensidade, de rir alto, falo alto, abra�o muito. Arte. Cheiro de gasolina, terra molhada. Prefiro o dia, o campo, mostarda, por favor. C�lica. Roupas estampadas de flores. Andar descal�a. Vontade de morar pelo Sul, de ter um s�tio para plantar, colher e ver a flor se abrir. Preocupo-me com a consci�ncia mundial e por gostar de batata-frita e outras bobagens. Sens�vel. Viciada em cole��o de pap�is espalhados por muitas caixas e gavetas.


Odeio
tudo tanto quanto...
Amo

Lendo
Sobre Antonin Artaud, Carlos Drummond (a insone arquitetura, Carlos Viana). Lendo Quando Nietzsche chorou (Irvin Yalom), Todos os dias (Osho), A Caverna (Saramago), muita xerox e muito dicion�rio Aur�lio.

Ouvindo
Chico, Paulinho Moska, Otto.

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Nos por enquantos da vida - N�o busco chegar a um ponto, mas nem por isso estou perdida. Tenho umas cole��es de boas lembran�as, de livros que li, de musicas que n�o me afetam, de sonhos que eventualmente me d�o chutes na canela e me fazem sorrir com a cordialidade de "Ah, voc�s est�o ai". Na cole��o de borboletas que tive, todas voaram. E assim vou-me deleitando nos vest�gios dos sentidos. Conforme o caos e a magia.


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06/04/2004 15:15
O FUROR

Crueldade pura em Artaud consiste em nos libertar da espetacularização da crueldade, da violência, da agressividade. Tornar o homem capaz de viver todas as crueldades da vida - vida é crueldade -, para além dessas imagens. Por que existe tanta violência na TV? Seria isso o teatro da crueldade, de Artaud? Não, é o contrário. Por que tanta agressividade nos filmes americanos? Porque isso serve ao poder norte-americano. A população espera, diante dessa ideologia do medo, que o próprio poder tome essa gente toda, coloque debaixo da asa e a proteja. Essas imagens de violência são como barreiras que se colocam à frente de cada um para que você não possa realizar seu próprio desejo, concluir o gozo. Isso é a chamada violência da fantasia. Essa violência fecha o imaginário, é dominada por ideais, ideologias, políticas, religiões.
Artaud assume a crueldade e a torna criativa, porque toda forma de criação é um esforço, um desejo, uma separação, portanto uma crueldade. Daí a idéia de que não existe criação sem ruptura, sem destruição, sem violência. A positividade estética da violência não está na sua espetacularização nem na violência gratuita em certas tentativas de teatro que quando pensa em crueldade pensa em sangue, tripas, violência no sentido quase cristão da palavra... Mas no ato de criação. Que é por definição violento. Não existe criação fora da ruptura, do estupro da própria tela branca, virgem. A crueldade é violência. Mas não a violência da ideologia, qualquer que seja ela, nem a violência católica - matar para o bem. A violencia da crueldade é criação. E todo ato de criação é cruel. Porque criar é o novo, é o que não há ainda, o que você não conhece. A questão de Artaud é não esconder a verdade.

Trecho da entrevista com Camille Dumoullie, No Olhar.
enviada por Estúpida






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