Etc etc e tal
N�o deve significar muita coisa meu nome, signo, estado civilis, o que fa�o, o que tenho. Mas este ser� especificamente um blog sobre minha vida, com ou sem lirismo. Gosto de intensidade, de rir alto, falo alto, abra�o muito. Arte. Cheiro de gasolina, terra molhada. Prefiro o dia, o campo, mostarda, por favor. C�lica. Roupas estampadas de flores. Andar descal�a. Vontade de morar pelo Sul, de ter um s�tio para plantar, colher e ver a flor se abrir. Preocupo-me com a consci�ncia mundial e por gostar de batata-frita e outras bobagens. Sens�vel. Viciada em cole��o de pap�is espalhados por muitas caixas e gavetas.


Odeio
tudo tanto quanto...
Amo

Lendo
Sobre Antonin Artaud, Carlos Drummond (a insone arquitetura, Carlos Viana). Lendo Quando Nietzsche chorou (Irvin Yalom), Todos os dias (Osho), A Caverna (Saramago), muita xerox e muito dicion�rio Aur�lio.

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Nos por enquantos da vida - N�o busco chegar a um ponto, mas nem por isso estou perdida. Tenho umas cole��es de boas lembran�as, de livros que li, de musicas que n�o me afetam, de sonhos que eventualmente me d�o chutes na canela e me fazem sorrir com a cordialidade de "Ah, voc�s est�o ai". Na cole��o de borboletas que tive, todas voaram. E assim vou-me deleitando nos vest�gios dos sentidos. Conforme o caos e a magia.


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06/04/2004 17:32
A nova geração, esta chamada de fim-de-mundo, decididamente, não é boêmia, como a minha.



Freqüenta os barzinhos da moda, gosta de tomar, ao longo do tempo, duas ou três cervejinhas, mas não se registra a visceralidade dos mais velhos. Isto se reflete no desaparecimento dos antigos bares que acolhiam os cachaçistas militantes, que fecharam suas portas. A congregação etílica também fazia parte do espírito da época, quando as pessoas gostavam de ficar discutindo arte e política por horas a fios. Romanticamente, elegia-se a bebida como o avatar do delírio. Tomar umas cervejas a las cinco de la tarde, contemplando o pôr do sol e a estátua do poeta Castro Alves, era um momento inspirado. O Colon, na rua Visconde de São Lourenço, era um ponto de encontro quase sagrado. Algumas pessoas fazia dali o seu escritório e recebia até mesmo correspondências. O pessoal que fazia cinema comia água com farinha. Depois vieram os superoitistas que se transformaram nos cineastas da contemporaneidade, mudando de bitolas e apostando no cinema como meio de expressão mais profissional. Também o centro da cidade vivia a sua efervescência. Vivia-se à noite neste centro. E me lembrei agora da carne de sol do Faleiro, na rua Carlos Gomes, e das kombis que vendiam feijoadas nas madrugadas da Praça Castro Alves. Fim de noite, fechado os bares, tomávamos a saideira no Mercado das 7 Portas, de preferência no Alagoano.
As pessoas também eram mais disponíveis, mais contemplativas. E havia muita facilidade no transitar na urbis soteropolitana. Atualmente não bebo como antes - embora nunca fui alcoólatra, cumprindo o dever de casa etílico aos finais de semana. Nem tenho mais saúde para tal, já passado dos cinqüenta e com alguns problemas. Não posso mais dar uma sentada e ficar por mais de 12 horas num mesmo bar ouvindo a mesma canção. E depois da saideira, tomar outra saideira em outro lugar, nunca satisfeito, mas com a cabeça no lugar, e sentindo os eflúvios do álcool à festejar no meu cérebro. Teimoso, porém, tento beber, mas, horas depois, já estou com visíveis sinais exteriores de embriagues. O que não acontecia. Ficar bêbado é muito ruim. Bom é ficar por horas e horas em banho-maria com a cerveja circulando na sua mente. Como num vôo de avião: decola-se e se passa, muito tempo, no piloto-automático.

Blog de André Setaro - sobre cinema, sua vida.
enviada por Estúpida






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